É quase que uma piada sem graça dizer que a lembrança quanto melhor, pior.
Para dar início a uma nova história, primeiro desapareça com a anterior.
Qual é o problema? Eu vou te dizer qual é o problema. O problema é que eu me acostumei, cara. Eu me acostumei com ela. Me acostumei a precisar dela, a pensar nela, a falar com ela, a lembrar dela, a querer ela. Zé, eu cheguei ao ponto de notar que todas as outras pessoas que não fossem ela perdiam automaticamente toda e qualquer chance de encanto que eu poderia ter por elas. Tem noção disso? Quando tu vê que toda e qualquer companhia se tornou inferior a de certa pessoa, tu tá fodido. E eu tô fodido, cara. Tô fodidão, porque nenhuma outra pessoa consegue me preencher mais. Sabe? Tá ligado naquela sensação de vazio, aquela sensação de falta-alguma-coisa constante? Então, cara. Falta alguma coisa em todas as outras pessoas que eu tento aproximação. Não sei o que é, mas me dá uma puta de uma agonia do caralho que me faz enjoar de todo mundo e querer me jogar na cama, fechar os olhos e ficar lá até ela voltar. Aí todo mundo vem e diz “Tem tanta guria por aí afim de você, por que é que você não pode simplesmente gostar delas? Elas são tão legais… Tão acessíveis e menos complicadas e problemáticas. Por que é que você só gosta do que é difícil?” E eu tenho que ficar sempre repetindo na esperança de que um dia um alguém qualquer ao menos entenda que não é que eu só gosto do que é difícil. É que eu só gosto dela, e não adianta insistir, eu sempre vou gostar mais dela. Eu não ligo se a outra é mais gostosa, mais bonita, fala menos, é mais legal, reclama menos e me aceita mais, cara. Eu preciso dela. Preciso do jeito chato dela, das manias chatas dela, das piadas sem graça dela, das frescuras dela e de como ela consegue me fazer bem só estando comigo, só sendo minha e de mais ninguém. Preciso dela carente de atenção e de mim, preciso até do ciúmes obsessivo dela. Zé, tu tem que ver como ela fica linda com ciúmes de mim quando eu falo de qualquer atriz por aí. Tu tem que ver que linda ela fica dizendo que me odeia e que quer que eu vá embora quando a gente briga. E quando ela me diz “Tchau” esperando que eu vá atrás dela e insista nela, mesmo que ela não vá voltar a falar comigo tão cedo, então? Caralho, viu. Tu tem que ver que linda ela aguentando todo esse estrago que eu sou, toda a minha chatisse e esse meu jeito mala conseguindo gostar até disso. Ela é um defeito tão perfeito. Clichê pra porra, mas cara… Eu faço qualquer coisa pra ver ela feliz, porque sei lá… Nada mais justo que retribuir toda a felicidade que ela dá pra mim só de estar na minha vida. Aí tu vai me falar que passa, é coisa de momento… Uma hora eu me acostumo. Mas olha, eu vou te dizer uma coisa: Me acostumar sem ela, eu me acostumo. Mas ser feliz por completo como ela conseguia me fazer, de novo? Isso cara, isso não. Porque de todas as pessoas que passam ou passaram por minha vida, eu nunca vi nada igual. Nunca vi ninguém que chegasse em um dia e já tivesse me arrebatado por completo no outro. Sem exageros nem dramas, aqui entre a gente: Ela vai fazer falta o resto da minha vida. Não da pra te fazer entender, é só que… não tinha nada mais confortante do que ter aquele corpinho quente e cheiroso envolto em meus braços.
Eu não te odeio, eu só estou decepcionado. Você se transformou em tudo aquilo que você disse que nunca seria.
De todas as dificuldades que uma pessoa tem de enfrentar, a mais sofrida é, sem dúvida o simples ato de esperar.
Dói. Dói fundo. É muito difícil a gente perder uma pessoa que ama. Eu sei que você partiu faz tempo, mas a gente demora para aceitar as coisas. A verdade é que eu nunca gostei de perder, não sou boa nisso. Não gosto de distâncias, partidas, separações. Sinto falta do teu abraço. Mas sei que um dia a gente vai se encontrar de novo, por isso te mando força, te mando luz, te mando só coisas boas. E prometo que não vou chorar mais.
Ele começou a suspirar devagar para não chorar. O suspiro é o choro da boca.
Não desista. Geralmente é a última chave no chaveiro que abre a porta.
Uma pessoa, quando tá longe, vive coisas que não te comunica, e tu, aqui, vive coisas que não a comunica. Então, vocês vão se distanciando e, quando vocês se encontrarem, vocês vão se falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar, por cima, de tudo que ele viveu, e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam, elas estão irremediavelmente perdidas uma da outra.
Você tem de morrer algumas vezes antes que você possa realmente viver.